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Capítulo 5

SANTA

Poema 1

Santa

 

Acordei, Vou para o duche, Observo o meu corpo, Penso no teu, O teu corpo entendo eu, A ti é que não, Nem com a ajuda da imaginação! De onde saíste tu com essas ideias e essa cara de santa? Gosto dos teus absurdos, ei-los, Despido na cama à tua espera, Não me deixas tocar-te, Quando já não aguentas, Pedes para assaltar-te! De onde saíste tu com essas ideias e essa cara de santa? Tocas-me onde queres, Gostas de iniciar na zona 100% sensível, Depois finges-te insensível, Como quem não quer a coisa, Pousas a tua cabeça no meu peito, Enquanto estou assim com esta coisa da excitação, Tu… finges estar adormecida! De onde saíste tu com essas ideias e essa cara de santa? Dizes que gostarias de filmar, Eu com outra... Tudo bem... mas conseguirias  aguentar?! De onde saíste tu com essas ideias e essa cara de santa? Não te entendo minha pirata! No outro dia tinhas que te pirar! Levando do hotel toda a minha roupa! Querias-te vingar! Afinal ficaste com ciúmes das cenas de filmagem de eu com a outra!

 

Poema 2

Procuro o que Dou

 

Vi-te, Quis envolver-te em mim, Dizes agora que sem mim, Não te sentes bem, Sentes-te… zangada com este mundo, Fazes de mim o outro mundo, Onde te sentes bem, Onde te libertas muito bem, Dou-te amor, Procuro o que te dou, Amor eu amo-te, Peço-te, Transpõe o meu corpo, Entra no meu espírito, Sente os meus sacrifícios, Entende os meus medos, Vê os meus segredos, Dá-te a mim, Sem um fim, Sem reservas, Dou-te amor, Procuro o que te dou, Amor eu amo-te, Quero gestos de fogo, Absorve o meu corpo no teu fogo, Amor eu amo-te…

Poema 3

Eu Desprezo

 

Tenho dúvidas sobre mim, Sei muito sobre muita coisa, Mas a sabedoria de pouco me serve, Neste instante, Já não sei o que é importante nesta vida, Eu Desprezo, Muito do que vi, Eu Desprezo, Tudo foi somente adorno, Tudo foi disfarce da vulgaridade, Talvez também eu, Use máscara de disfarce, Talvez eu me esconda de mim, Talvez eu queira apenas, Aquilo que é importante para os outros, É o contágio, Dinheiro, Poder, Sexo e Manipulação, Eu Desprezo, Muito do que vi, Eu Desprezo, Tudo foi somente adorno, Tudo foi disfarce da vulgaridade, Tu existes meu amor? Tu existes meu amor? Acho tudo vão, Dá-me a tua devoção…

 

Poema 4
Inconstante

 

As causas, De eu ser inconstante, Poderão ser apenas pausas, Nas formas constantes, Que acho arrogantes, Não nos outros, Mas em mim, E só sendo assim, Sou feliz, Sou a vida, Onde tudo é inconstante, Mas nós os dois, O amor ama constantemente… Quando te toquei, Vislumbrei, Outro ser, Que também sem querer, É inconstante, Mas nós os dois, O amor ama constantemente… Pela experiência sei, Desejos, Anseios, Tudo inconstante, Por vezes até, Bastante inconstante, Do teu corpo a roupa quero tirar, Desnudar-te, Isso é um hábito constante, Nós os dois, O amor ama constantemente…

 
Poema 5
Terrorista

 

Chamas-me de cowboy, Pedes-me lume, Queres acender um cigarro, Pedes-me para pegar em fósforos e acendê-los, Fazendo-os raspar, Nas minhas solas de bota de cowboy, És uma terrorista! Em cima de mim, Tens a vista! Queres algo de mim… Queres que te atire, Um laço de corda, Que te puxe até mim, Queres que te resgate da monotonia, És uma terrorista! Em cima de mim, Tens a vista! Queres algo de mim… Corres descalça sobre a relva, És desobediente, São frequentes, As lutas, Dizes que de mim, Não precisas, Mas cais sobre mim, Quando te desnudas…

 

Poema 6
Receio

 

Sei que de ti necessito, Sei que te quero muito, Mas tenho receio, Tenho receio da dependência psicológica, Só me faz mal, Porque depois vem o abandono, Por eu ser insuportavelmente dependente de ti… Receio, Por ti tudo abandonar, Receio, Modificar-me, Ao ponto de me desfigurar, Para depois eu desprezar-me, Por sentir saudade, De tudo aquilo, Que por ti deixei, Tenho receio da dependência psicológica, Só me faz mal, Porque depois vem o abandono, Por eu ser insuportavelmente dependente de ti… Receio, Que te reveles incoerente, Depois de eu ter sido servidão, Da tua intenção, Tudo faço para que a nossa relação resulte, Mas receio estar a cavar a minha sepultura, Tu não me defendes, De mim próprio, Não me ajudas, Tu queres-me dependente, Isso faz-te sentir forte…

Poema 7

Profundo

 

Pintas o corpo de dourado, Atiras-te ao lago, Sinto-me afogado, Em desejo, É desejo profundo, Prendo-te no meu corpo, Quero que vejas maravilhas, Sentes a minha imensidão, Não dá sinais de extinção, Sou fogo, Converte-te a mim, É desejo profundo, Prendo-te no meu corpo, Quero que vejas maravilhas, O meu corpo, Localiza as partes do teu, Que me querem, E pedem, Pedem mais e mais, É desejo profundo, Prendo-te no meu corpo, Quero que vejas maravilhas…

 

Poema 8

Abuso Impressionante

 

Gostas de abusar, E voltar a abusar, Novas formas de abuso, Arquitetas, Dás-lhes real forma e uso, Não escolhes hora oportuna, Pior que uma gatuna, Praticas em mim, Um abuso impressionante, Não chega a ser chocante, Mas não deixa de ser impressionante, Tem de ser quando o entendes, Se nego o que pretendes, Dizendo não ser hora para tal, Reages muito mal, As tuas cismas vieram para ficar, Sejam elas quais forem, Todos os teus desejos, Têm de ser cumpridos por mim, É assim que achas que tem de ser, Praticas em mim, Um abuso impressionante, Não chega a ser chocante, Mas não deixa de ser impressionante, Quando fico confuso, Perguntas-me onde está o abuso, Não entendes que é um abuso, A tua mania de dizer-me na cara, Sem me poupares, Tudo o que pensas acerca de mim, Vou agora dizer-te o que penso, Já pensaste em fazer, Mais uso do sexo? Insultas-me outra vez, Dizes o que pensas, É sempre a mesma forma de abuso!

 

Poema 9

Dias

 

Deito-me na cama, Dou voltas, As horas atiram que nem pistolas, Sobre a minha cabeça, Cinco horas da manhã, Ainda acordado, Sinto-me passado da cabeça, Já há vários dias que os dias são assim, Péssimos, Que mérito, Têm os dias, Se são descrédito? Quero que sorrias, Tu podes ser uma mulher, Um amigo, Um emprego, Uma notícia, Ou a natureza, Todos os dias, Quero que sorrias, Já há vários dias que os dias são assim, Péssimos, E o amor? Bem... nunca ouviste dizer, Um mal nunca vem só? Talvez seja ela o meu amor, Ou apenas alguém para não me sentir só, Mas ela também, Parece não estar bem, Já há vários dias que os dias são assim, Péssimos, Queres saber uma coisa? Que se lixe tudo! Que se lixe tudo! Que se lixe! Só não sei ainda é como se lixam estes dias…

 

Poema 10

Não te Afastes

 

Tens o meu corpo despido, Junto ao teu, Não faz sentido, Outras formas de alívio procurares, Dá-te despida, A mim, Despida de roupas e do resto, E terás alívio, Não te afastes, Não te controles, O teu corpo não se opõe, Deixa-o querer-me, Aproxima-te, Põe os teus lábios nos meus, Toca-me na pele, Lê as respostas, Às tuas perguntas, No meu corpo, Não te controles, O teu corpo não se opõe, Deixa-o querer-me, Deita-te nos meus braços, Envolve-te nas chamas, Deixa-me sair do meu corpo, E entrar no teu, Observa os nossos corpos, Enquanto o fazemos, Deixa-o querer-me…

 

Poema 11

Profecias

 

Profetizaram-te que um dia, Eu seria teu, Tiveste fé na profetisa, Eu ia ser teu, As profecias têm falhas, O amor não, Eu também sou profeta, O seguinte vou profetizar, As profecias têm falhas, O amor não, As profecias têm fendas, Por onde a mentira entra, A verdade é lenta, A tapar a fenda, As profecias têm falhas, O amor não, O amor, Não é apenas sinónimo de fazer amor, O amor é uma palavra, Que fala de um ato, Que mostra atos, Que são amor, O amor não falha…

 

Poema 12

Destruir

 

Cá dentro sinto-me, Destruído, Perdido, Desfeito, Tenho de conseguir destruir, Destruir este estado de alma, Tenho de possuir, Possuir um caminho, Para sair do caminho, Onde estou cá dentro, Estou assim porque, Coisas destruí, De que estou eu a falar? Nunca fizeste o que eu fiz? Nunca algo destruíste? Não? Então nada mais saberás através de mim, Não me entenderias, Tenho de conseguir destruir, Destruir este estado de alma, Tenho de possuir, Possuir um caminho, Para sair do caminho, Onde estou cá dentro, Tu não me entendes, O meu estado ser-te-á sempre pouco conhecido, Contigo a meu lado, Construo a minha auto destruição, E porque tu não me entendes, Não consigo destruir o efeito, Que a tua banal normalidade tem em mim…

 
Poema 13
Coração

 

O meu coração, Iludido? Não, O meu pensamento, Iludido? Sim, O meu coração sempre me disse, Que eu tudo podia, O pensamento duvidou, O meu coração, Na solidão comigo permaneceu, O pensamento com o pânico se foi, O coração vê beleza, O pensamento acha tudo vão, Tudo questiona, Insatisfeito e refilão, O meu coração é um encanto, O meu pensamento é carma de desencanto….

 

Poema 14

Amor e Tosse

 

O amor! Rufar de tambores! Tocar mais baixo não dá! Impossível controlar! Barulho interminável! Sobrevoa alto! Quem não é pelo amor, É contra o amor! Sou a favor, Mas o meu amor, Por ti ainda mal começou, E menos livre que há pouco, Já me sinto! Não me agrada! A tosse e o amor, Impossível conter, Obedece-se! E acontece-me tossir e amar, Mesmo contra a minha vontade!

 

Poema 15

Monstros

 

A mim tanta coisa agarrada, São unhas afiadas na noite, Fingindo serem cada vez menos afiadas, Mas cada vez mais arranham, Tal como a tentação, Sexo e outros prazeres, Sorriem-me com frequência, Um sorriso bonito, Sua insistência, Inquieta-me, Pergunto-me, “O que queres da vida?”, Perguntas há, Que são monstros, Não apodrecem, Nem adoecem, O vento continua a soprar, O prazer, O seu sorriso continua desavergonhado, Sorri-me, O vento sopra, Do chão papéis rasgados se levantam, Deitado no chão estou, Imagens destorcidas vejo, Pergunto-me, “O que queres da vida?”, Perguntas há, Que são monstros, Não apodrecem, Nem adoecem, Coloco-me mais uma pergunta, “Obter respostas é meu dever? Ou devo fugir? Como decidir?”, Perguntas há, Que são monstros, Não apodrecem, Nem adoecem…

 

Poema 16

Nem Reparas

 

Nem reparas que, Há muito reprimido o desejo está, A aumentar mais e mais está! Em breve Insuportável será, E tu sempre nas nuvens! Nem reparas, Que desligar não posso, Este fenómeno, Que em mim despertaste, Nem reparas... Nem reparas que até agora, O que quiseste fazer, A toda a hora, Deixei-te fazer: “Andar nas nuvens!” Mas o jogo, Só me desperta mais, Sendo tolo, O teu desejo, De andar sempre nas nuvens, E andando sempre nas nuvens, Nem reparas, Que desligar não posso, Este fenómeno, Que em mim despertaste, Nem reparas... Nem reparas que, As nuvens onde te escondes, Esconderijo seguro já não são, Para aí me dirijo, Todo nu, Esconder-me-ei nas nuvens, Em mim apertar-te-ei, Até todas as nuvens esmagar, E finalmente reparares, Todo nu eu estou!

 

Poema 17

Não sou Inofensivo

 

É um erro, Amares-me, Esse erro, Pode levar-te, A outro erro, No amor já não acreditares, Não sou inofensivo, Não me ames mais, Para não sofreres mais, Caminhos ásperos a tua esperança percorre, O que de desagradável fiz desfaz-se, Se à tua volta os braços coloco, A tua esperança em mim renova-se, Mas não sou inofensivo, Não sou inofensivo, Não me ames mais, Para não sofreres mais, O muro do teu equilíbrio desequilibrou-se, Desmoronou-se, O muro que separa o teu amor da verdade, Que separa o amor daquilo que eu sou, Desequilibrou-se, Desmoronou-se, Tens de ver que não sou inofensivo, Não me ames mais, Para não sofreres mais…

 

Poema 18

Não quero Saber

 

A luz do dia já enfraqueceu, O meu pensamento em ti fortaleceu, É tão forte, Onde estás tu? O dia morreu, O dia não quer saber, Não se importa, Quão mal vivo na noite, Ninguém para me salvar, A noite é escura e cega, Não vejo ninguém, E ninguém me vê, O dia cheio de luz não quer saber da noite, Ninguém para me salvar… Sinto a aproximação, Da emoção, Das lágrimas, Queria-te agora, Sem demora, Onde estás tu? O dia morreu, O dia não quer saber, Quão insensível a noite pode ser, Ninguém para me salvar, Os meus olhos são, Lágrimas de emoção, Este meu estado, Esfarrapado, Dá-me vontade, De a ti, Sempre amar, Onde estás tu? O dia morreu, O dia não quer saber, Quão atemorizadora a noite pode ser, Ninguém…

 

Poema 19

Comigo Próprio

 

Adeus! Até a incerteza lembrar-me de regressar! Adeus, Comigo próprio vou! Quase a estoirar de fúria, Auto estrada, Velocidade, Estou pronto para qualquer coisa, Não interessa se sou o melhor, Estou pronto para o visível, E o invisível, Seja lá o que for pode vir sem me avisar! Estou pronto! Vem comigo!

    

       

Poema 20

É esta a Altura

 

É minha, Toda a loucura, É esta a altura, De partilhá-la em ti, Fazer amor, É esta a altura, De deitar o meu olhar, Sobre o teu corpo, De chegarmos lá juntos, E quando romper o dia, Perdoarei ao dia anterior, Esquecendo qualquer tormento, Fazer amor, É a única luta a lembrar, A luta de te dar, Todo o meu amor, Através do meu corpo…

 

Poema 21

Pensando Bem

 

Existem obstáculos, Eu também sou um, Sou o meu obstáculo, Pensando bem, Não sei bem, Onde quererei dormir hoje, A casa não queria ir, Espero alguém, Ainda hoje, Pensando ainda um pouco mais, Os problemas, Nem sempre são verdadeiros, Pensando bem, As soluções, Nem sempre são exatas, Pensando bem, A dor, Nem sempre é merecida, E pensando mais um pouco ainda, Só às vezes é que tudo, Parece estar bem, Sabes uma coisa? Acho que vou dormir mesmo aqui…

Poema 22

Nunca por muito Tempo

Nunca por muito tempo, O sexo esqueço, Enlouquecida a lua não está, Nunca por muito tempo amei, A chuva cairá normalmente, O rubi e o diamante, Caros continuarão, Nada mudará, Eu queria mudar, Pois nunca por muito tempo amei, Amado fui, Mas nunca por muito tempo amei… Sou esquisito…

     

      

Poem 23

Saudade

 

Saudade, Profunda solidão passa, Pelo meu coração, Quanto mais conseguirei aguentar? Com ninguém quero falar, Detesto não te ter, Não te irei perdoar, Se não me provares, Que me queres, Quero-te!

      

                         

Poema 24

Força

 

A vida, No seu interior, Tem seres humanos, Que no seu interior, Buscam bengalas, Estou à mercê, Do que tens para me dar, Necessito da força, Dada por uma razão, De viver, Preciso dum coração, Que bata forte por mim, É urgente, Mas mais urgente, É evitar esta fraqueza, Pois estou à mercê, Do que tens para me dar, Em mim buscas forças, Tal assusta-me, Nós os dois buscamos apenas bengalas de apoio, Estou à mercê, Do que tu tens para me dar, E tu à mercê, Do que eu tenho para te dar, Se a bengala se quebra, Lá se vai o apoio!

Poema 25

Eu que vou Morrer

 

Eu que vou morrer, Beijo-te, Desejo-te, Atiro-me sobre o céu, Eu que vou morrer, Subo ao topo dos montes, Atiro-me sobre o céu, Querer e obter, É forte, Invencível, Temível, Inevitável, Só pode ser a morte, A morte da morte…

 

Poema 26

Desbobinar

 

Quero falar, Mas não sei como desbobinar o assunto, Cantei a dor, O desejo, O amor, A solidão, O mar, O céu, A paixão, O sentimento, Todo ele é demasiado e numeroso…  Agora é a tua vez de falar, É desbobinar! Desbobinar! Desbobinar! Gestos, imagens, palavras! Dá-te a conhecer aos outros! Diz o que sentes! Não fiques por aqui! Desbobina! Desbobina! Desbobina! 

 

Poema 27

Solidão Sempre

 

Os meus olhos, Precisam ver-te, Até te encontrar, Será solidão, Sempre! Sempre a expulsar-me daqui, Sempre! A tua ausência, Será Sempre, A minha ausência de alegria… Até te ter a meu lado, O som da tua ausência, Virá de todo lado, Sobre este poema descer, Desço degraus, Desço sem mãos, Desço sem amparo, Desço, Desço milhares de degraus, Passos desamparados, Desço para a depressão, Faltas-me tu, Até te encontrar, Será solidão, Sempre! Que drama!

 

Poema 28

Transe

 

Sensações penetrantes te dou, Não é um sonho, Estás em transe, A viajar te levo, Nas consequências dos beijos meus, Eu beijo fantasticamente bem, Concordas?

 

Poema 29

Nada é Igual

 

Uma dançarina, De striptease é a vida, Ela dança para ti, Ela insinua-se, Ela arrisca, Ela fascina-te, Ela atrai-te, O seu movimento tira-te o fôlego, Ela eleva-se no ar, Foge, Voa, Com o corpo, Mesmo que este, Alma não tenha, E é este o sentir, De nada ser igual, Ao que se quis! Há muito para fazer, Por aí, Quando nada é igual, Ao que se quis, A sorte tu tentas, Até esta se esgotar, Perigo, sexo, loucura, A amargura, Sobressai na voz humana, Quer tudo igual, Ao que sonhou, Mas nada é igual, Ao que se quis, A compreensão pequena, Os porquês grandes, E é este o sentir, De nada ser igual, Ao que se quis! Que situação! Fod*-se!

 

Poema 30

Estendo os Braços

 

A força do desespero, Estendo os braços, Peço-te ajuda, Quem me poderá aconselhar, Nesta miserável, Dor que trago, Não sara, Estendo os braços, Peço-te ajuda, Nesta estranha terra nada muda, Tudo permanece, Nela permanecem os perdidos, Permaneço eu de braços estendidos, Preciso ser amado, Mesmo antes de encontrar, A quem amar…

Poema 31

Inseguranças

 

Talvez eu até seja inseguro, Mas o meu amor por ti é firme, Não se molda à circunstância, Amo-te, E a insegurança de um dia não te ter, Faz com que te ame mais ainda, Contigo quero fazer travessias destemidas, Atravessar ventos violentos, Atravessar os mares em ira, Tantas vezes, Quantas as inseguranças! Nega as tuas inseguranças, Às tuas mãos entreguei-me, Um empurrão dei, Às tuas inseguranças!

 

 

 

Poema 32

Prolongar

 

O oxigénio não se vê, Rodeia-nos mas não se vê, O oxigénio é para respirar, E o amor para o prazer, vês? O amor não está escondido, Os teus olhos abertos vêem-me, O mundo tem os seus desastres, As suas catástrofes, Tu tens oxigénio para respirar, E o meu amor para te dar prazer, sentes? Quando tudo falha, Para justificar a vida, Eu dou-te poderes para amares, Tudo o que vês em ti, Tu tens oxigénio para respirar, E o meu amor para te dar prazer, sentes? Estou cheio de oxigénio para te dar, Deixa-te de ares, Não digas que eu só digo disparates, Mostra-te toda nua para mim, Vem até mim! Vem prolongar o oxigénio do amor...

 

 

 

 

Poema 33

Derrota

 

A derrota, o que é? Trabalho diário é, Ao tentar a vitória, Mais derrotas faço, Uma importância exagerada, À derrota dou, A derrota surge aliada, A um estado de nervos, Quase incontrolável, Fazer o que nos dizem, É detestável, Dizem: “Tem calma!”, A minha falta de calma, Nada resolve, É mais uma derrota, Que importa? A sorte está morta, Eu estou vivo, Derrotado, E com muita falta de calma! Fazer o que nos dizem, É detestável, Dizem: “Tem calma!”, É irritável manter a minha calma numa derrota! É irritável eu ser derrotado calmamente! É calmamente irritável!

 

 

 

 

Poema 34

Febre

 

No corpo, Dás-me febre, A cabeça, Não arrefece, Dás-me dores, Tu embates em mim, Depois recuas, O teu psiquiatra confirma, Tu és assim, Não há nada a fazer! A tua voz, Penetra em mim, Domina-me por completo, Depois recuas, O teu psiquiatra confirma, Tu és assim, Não há nada a fazer! Deixas-me aceso, De desejo, A meio recuas, Deixando-me nu, No meio da neve fria, Tenho toda esta febre para nada! A minha voz, Pergunta, Grita-te, De novo pergunto-te, “Que se passa? Porque me fazes estas coisas? Porquê?” O teu psiquiatra confirma, Tu és assim, Não há nada a fazer! Desnudas-te, Provocas-me, Excitas-me, Desta vez não vou cair em tentação, Tenho de te castigar, Acho que vou ser eu, Desta vez a recuar! Quero ver se vais gostar!

 

 

 

 

Poema 35

Meu Olhar

 

O meu olhar, Sem ânimo, Tombava no nada, Mas agora tenho-te a ti, Tudo te quero dar, Castelos de cristal, Com colunas d´oiro, Pois em mim, Tudo se transformou, Agora eu existo porque tu existes, Sempre te irei proteger, Tirarei as forças, Àqueles e às coisas, Que te magoarem, Agora tenho a quem amar, Tenho-te a ti, Será amaldiçoada, Toda a poeira densa, Que ouse tirar, Ao teu olhar, Belas cascatas de água, Verdes florestas, Flores e aves raras, Tenho vontade, De ao oceano profundo ir, Buscar tesouros encantados, Só para te alegrar, Tu deste-me vida, Tu aproximaste-me, Mais e mais do amor, Afasto-me mais e mais do vazio, Que do nada cheio está, Tu existes…

 

 

 

 

Poema 36

Trovões em Chamas

 

Para quê fingir, Que estou bem, Se encurralado me estou a sentir, A minha vida tem de mudar, Procuro a esta hora um tempo novo, Oiço trovões em chamas, Trovões de fogo, Ruídos fortes, Com sinais de mudança, O movimento tornou-se imóvel, Isento de algo pelo qual, Morrer ou viver, A minha vida está sem sentido, A minha vida, Um lamento que não aceito, Um lamento que não quero viver, Oiço trovões em chamas, Trovões de fogo, Com sinais de mudança, O que existiu há muito, Embora se está a ir, Invoquei trovões em chamas, A minha vida antiga está em chamas, Arde, Em breve cinzas, O que está escrito no meu destino, Não me basta, Não me basta a vida que vivo, Não sou eu, Tudo é mínimo, Mereço mais, A minha vida antiga está em chamas, Arde, Em breve cinzas, Trovões em chamas, Eis o meu tempo…