Capítulo 4

P2Romance

 

Data: Sábado,  31 Outubro 1998    03:22h,  *Assunto: “Emoções”

Olá! Poema intitulado “Emoções”

"Vou pedir que me tentem afogar no mar, Quero saber o que é  importante neste mundo, Quero saber qual será o meu último pensamento, Qual será o meu desejo mais profundo, Talvez seja o querer respirar, É isso!

Só consigo viver se respirar, Mas porque é  que  quando respiro, Me esqueço o quanto eu este queria? Porque é  que somente respirar não é possível? Porquê  querer amar ? Dificulto intencionalmente a minha respiração para me lembrar, Que tudo o que necessito é  respirar!

Mas depois de conseguir respirar, Lembro outro vez que tal não me basta! Que ciclo! Quem nos fez assim? Será que nos fez à sua imagem? Acho que sim! Ele sabe quão penosa tal situação é! O amor...

Retira todos os móveis que te circundam, Cria um espaço livre, Põe vários cobertores no chão, Camada sobre camada, Está frio? Acende algo para aquecer o ar, Não há lareira? Põe mil velas a arderem, Roupa? Nenhuma! Lá fora, Todos os instantes estão difíceis, Estás tenso, Estás deitado, Olhas  o firmamento.

Agora já passaram algumas horas, Estás de olhos fechados, As chamas das velas já se apagaram, Para não sentires o frio, Deito-me colada a  ti, Assim estás melhor, Entre a ausência do sol, E a morte da  lua...Entre o findar do dia, E o falecer da noite...

 O vento vê-se...Vê-se quando desprendo e solto o meu longo cabelo…O cabelo esvoaça misturando-se com o vento nebuloso, Uma espiral de vento, É denunciada por uma espiral de sinais...Já tentei pintar os teus sinais, A tinta entrava em espiral...

O vento ouve-se forte... Ele tudo derruba, As árvores estremecem... A mim assusta-me, A sua presença  intensifica-se, Vai arrancar-me a ti… segura-me…, Faz-me sentir a tua pele na minha pele… Nada posso fazer para impedir…as emoções! Tu" (fim)

 

 

Data: Sábado,  07  Novembro 1998    01:53h,  * Assunto: “Somente um problema”

Olá! Posso falar-te de problemas?

Sabias que eles nunca aumentam em número?!  Só aumentam em conteúdo!

Por exemplo, hoje deparei-me com um problema e passado pouco tempo surgiu-me outro problema, mas não passei a ter dois problemas!  Continuei a ter somente, um problema!  O outro passei a ignorá-lo. Cabeças como a minha, são assim!  Quando este problema estiver solucionado, não passo a ter zero  problemas porque  aí  irei substituí-lo pelo problema anterior. Somente um problema! Sempre o mesmo número: um problema apenas! Estás a ver?

Ontem, pus várias pessoas inseguras, relativamente à  possibilidade de avaria dos emails, no envio e recepção. Incuti-lhes a ideia de que poderiam enviar uma mensagem e ela poderia nunca chegar ao destinatário! Mesmo com o destino correcto! Ah, sim, sim!

Depois arrependi-me, pois eram colegas minhas que se tinham iniciado na internet há pouco tempo. Estavam a desparafusar!

Mas a internet entrega sempre todos os nossos emails nos destinatários, certo? (Deus queira que eu esteja certa) Depois convenci-as de que eu estava a brincar: ”É  mais fácil as vossas casas caírem que haver uma problema com o vosso email!”  Também foi mais fácil o trabalho de pô-las inseguras que agora acalmá-las e dizer que eu estava a brincar… 

E se a internet decidisse agora vingar-se da minha difamação?... eu estaria tramada pois os meus emails não chegariam até ti!  Nunca mais receberias emails meus!  Ias ficar zangado com a internet, não ias?

Chove torrencialmente e troveja. Estou aborrecida com os relâmpagos. Tenho medo que me queimem o computador mas não quero ainda parar de escrever embora, goste de ouvir os trovões e ver a luz dos relâmpagos…

(poema)

"Elevam-se das profundezas ilhas submersas, O Céu alto emerge, Anéis de Vénus colidem, Isto fascina-me, Mas não me seduz, Fascínio e sedução, Só a minha ausência da realidade, Tu tiras-me da realidade…" (fim)

 

 

Data: Sábado,  14  Novembro 1998    10:44h,  *Assunto: “Sol”

Olá! Nestes dias de novembro o sol ainda vai aparecendo. No firmamento, o céu tem pedaços de azul escuro, aglomerados de nuvens e gotas de chuva.

Eu, uma condutora atenta, desligo os olhos da linha preta que é a estrada, para observar  nuvens. Estou  atenta a ambas (até agora tenho conseguido fazer ambas!): conduzir e ver nuvens.

Como é possível  ver representado anjos sentados em nuvens, conforme se vê em quadros religiosos?! Penso que a  ideia do pintor é a representação da impossibilidade.

A  nuvem é fumo branco!  Como é que se pode estar sentado em cima de  fumo como se este fosse uma almofada palpável!  Pois!  Como?!

Aliás, despertar duma fantasia poderá ser descrito como o estar sentado em cima de uma nuvem. Ou seja, cai-se e dói

 

Data: Domingo,  15  Novembro 1998    12:58h,  * Assunto: “Brasil”

TELEGRAMA

Adeus. Vou Brasil. Escrevo  OLÁ  25/11. Se não cumprir, destino cruel. Morri. Beijo.

 

 

Data: Quarta-feira,  25  Novembro 1998    21:06h,  *Assunto: “Olá! Regressei ”

...Estou aqui! Já cheguei! Fui fazer um tratamento por hipnose. Como correu? Continuo a ser eu. As tentativas de hipnotismo fracassaram, todas!

Diz lá, se eu não sou o máximo?

Este hipnotizador argentino, a viver no Brasil há muitos anos, tem um curriculum  impressionante, ora vê: hipnose clínica (colabora com médicos na diminuição da dor),  hipnose terapêutica (casos de pânicos, fobias, ansiedades, stress),  hipnose forense (a convite do FBI, colaborando na investigação de crimes de solução difícil), hipnose desportiva (programando mentalmente os atletas), hipnose pedagógica (ensino de técnicas de auto-hipnose aos estudantes com a finalidade de ensinar a memorizar conhecimentos investindo menos esforço).

Impressionante, não? Mas infalível? Não. Depende da confiança nele depositada? Sim.

Acho que  a lição foi esta: eu tenho poder sobre mim, prefiro ser eu a usá-lo em mim que dá-lo a outro que não me ama mais que eu mesma.

Presenciei uma exibição dele, relativamente ao seu poder hipnótico, com um grupo reunido na sua sala de terapia. Escolheu um elemento do grupo, deu-lhe instruções precisas para este imediatamente adormecer e hirto ficar e, assim foi!  Adormeceu e hirto ficou! Assustador, não?

A outro disse para comer “aquela maçã” -ele apontou para uma maçã “super gostosa” quando na verdade era uma cebola crua. O tipo comeu e disse que a maça era de facto muito gostosa!

Continuando a minha história: antes do início de cada sessão de hipnose, eu ia à casa de banho e bebia (não a água da sanita ) até quase me embriagar  salvaguardando o conseguir andar em linha reta até ao consultório. Penso que consegui andar direito, penso que ninguém notou a bebedeira. O meu objetivo com essa coisa da “bebedeira” era diminuir as minhas resistências psicológicas e permitir que a hipnose ocorresse.

Também cheguei a consultar no Brasil uma vidente, lá chamam-lhes de esotéricas. E aqui tenho de calar-me porque, o que ouvi da boca dela, ultrapassa-me! Mas posso dizer que ela afirmou que o hipnólogo jamais me conseguiria hipnotizar por eu ser uma bruxa com poderes superiores aos dele: três vezes mais!

 

 

Data: Sexta-feira,  27  Novembro 1998    19:53h * Assunto: Re. “Olá! Regressei .”

.....Adorei o teu texto.......gata. Dá-me o teu telemóvel.

 

 

Data: Sábado,  28  Novembro 1998    00:47h,  *Assunto:  “Para ti  ”

Durante o dia, o telemóvel está desligado (por razões profissionais) mas durante a noite está permanentemente ligado. Liga à hora que te der mais jeito. Não há problema.  O número enviei-te num mail à parte.

(poema)

"Desloco-me por entre a noite, Na noite por ti vivo, O dia traz perturbações, Isso explica a noite existir, Quero ver em mim apenas o que sentir quero, À beira da loucura para uns, Perto da lucidez em mim, Fiz um nó, Atei tu a mim…" (fim)

 

 

Data: Sábado,  05 Dezembro 1998    00:58h,  *Assunto: “Identificação”

... Ainda não me deitei. Tu telefonaste-me! Hoje por volta das 23h!

Lamento a qualidade de receção do telemóvel nas aldeias. Tens uma voz inconfundível mas a qualidade de receção dificultou o reconhecimento.

O que quero de ti? Esta questão, possivelmente, passou a estar cada vez mais presente no teu espírito, à medida  que me vais lendo cada vez mais. Eis a minha apresentação!

Já trabalhei, na minha adolescência, na agricultura –os meus pais têm terreno agrícola. Enquanto estudante universitária, trabalhei em caixas registadoras de um híper mercado durante três meses, em part-time, até ao dia em que fomos todas despedidas (as do part-time) assim sem mais nem menos, provavelmente não éramos lucrativas. Também enquanto estudante universitária trabalhei como cicerone na “Ocupação dos Tempos Livres” (OTL) durante um verão. Por essa altura pratiquei judo mas durante muito pouco tempo! Por isso não sei defender-me de ti nem atacar-te . Entretanto fiz teatro universitário, do género experimental amador, seis meses apenas. Como passatempo já tive a pintura de quadros, t-shirts e loiça - fui auto didata nesta coisa das pinturas (pintura abstracta). Gostei. Gosto de colorir. Para o desenho não tenho, infelizmente, jeito algum.

Atualmente estou  a frequentar um segundo curso superior ligado à computação, já sou licenciada, mas a computação não é propriamente a minha paixão embora aquilo seja giro e seja o futuro! No futuro, tudo será informatizado! Daí eu querer estar neste curso, por uns tempos, para perder o medo aos computadores e adquirir “ferramentas” que me permitam estar minimamente à vontade com estes “bichos” inteligentes.

Ainda não referi o meu estado civil: solteira, sem filhos e sem uniões de  facto.

Os “apaixonados” só devem permanecer juntos se um do outro não  necessitarem, caso contrário é dependência e não amor. Mas no amor não há ninguém independente!

Isto é lixado!.. isto do amor !

Mas eu vivo... levitando acima da realidade que respira ar pesado...

O que eu quero de ti? Gostaria, quando te fosse possível e oportuno, conhecer-te pessoalmente. Porquê? Nunca te vi pessoalmente...

 

 

Data: Domingo,  06 Dezembro 1998    11:32h *Assunto: “Outra vez com energia!”

Olá!

(poema)

"Os cumes solitários dos montes, Desafiam as tempestades, Sou o cume dum monte,

Sou uma rocha do deserto, Desafio-me, Quebro-me…

Desejo muitas vezes, Que os trevos de quatro folhas  abundem, Desejo muitas vezes, Que os sinónimos de sorte abundem…

Um banho, A excitação do cair e  pousar na água, Condeno-me ao nevoeiro do calor da água, A maldição da absorção da alma pelo mundo, O mundo quotidiano, É  rebocada pela água...

Pirata híbrida sou, A minha  rebeldia mistura-se, Com o desejo de quietude, O calor da água faz-me estar quieta, E então...por entre os aromas, Tento a adivinhação através das linhas das mãos...

Aumento a temperatura da água, Aumento a confusão, Dos odores de óleos aromáticos, Ainda não...Adio a vontade de querer sair da água quente...

Música de fundo, Momento com momentos inesquecíveis, Desejos ruidosos existem no coração, Tão ruidosos que, Comparados com estes, O mundo inteiro parece estar em silêncio…

Cobiço a pigmentação das estrelas, Não vivem amordaçadas à cobiça duma cor, São luz, O céu, Se infinito for, Não conhecerá a  localização do  seu ponto médio, O céu está  desequipado de qualquer coleira…

E  se os oráculos forem  falíveis? Ficarei sem ti...Ficarei sem a minha alma..."

 

 

 

Diálogo 4 * colega de trabalho,  * Segunda-feira,  07 Dezembro 1998    20:20h

- Olá futura famosa! Foi bom termos combinado jantarmos juntas. Não tenho conseguido falar contigo no trabalho, não apareces nos intervalos no bar! Telefonar-te também tem sido difícil: dói-te sempre a cabeça! Até parece que quero fazer amor contigo! Eu só quero falar! Mas a ti não te apetecia! Estavas sempre com dores de cabeça! Já começava a pensar se andarias chateada comigo!

- Não ando chateada contigo. Claro que não! Mas não tenho andado bem e tenho tido dores de cabeça constantes, deve ser o stress…

- “Não tenho andado bem!” Coitadinha da menina. Nunca ouviste dizer que é no meio que está a virtude? O isolamento não é coisa boa, tenta ser mais moderada nisso…

- O empregado está a dirigir-se para aqui! O que vais pedir?

- Para ti, sexo! Para mim: rissóis de carne, depois uma dose de polvo, cerveja e para sobremesa bolo ou gelado e depois, um café. Temos de demorar a comer! Temos muito que conversar e não me apetece sair daqui tão cedo. Lá fora está um frio danado! Ir para a minha casa também não dá, está completamente desarrumada… estive todo o fim-de-semana fora e não tive tempo, compreendes? Fiquei farta de sexo! Quer eu, quer ele abusamos da coisa! Sabes uma coisa? O restaurante tem bastante gente, para uma segunda-feira... Fiquei farta de sexo aliás, nem me alimentei direito. Estou com fome!

- Ok, tens fome! Para não teres mais queixas sobre a minha pessoa, de que eu não te tenho dado a devida atenção, o jantar ficará por minha conta! Eu pago. Pede o que te apetecer, podes comer que nem uma loba esfomeada! Eu gosto muito de ti, sabes disso, não sabes? Mas de facto eu não tenho andado bem…

- Eu sei, nota-se a quilómetros de distância! Andas sempre tensa…arranja um homem e diverte-te! Deixa lá esse fulano cantor, os emails e o computador! Deita isso tudo na sanita! Não te vai fazer bem algum e é perda de tempo. Então o jantar fica por tua conta?! Ótimo! És um amor!

- Pareço tensa mas não sou mas, como me sinto tensa, até serei tensa... Há ano e meio atrás, escrevi a um padre português que era também hipnotizador.

- Tu muito gostas dessas coisas de hipnotismo, videntes, castelos, época medieval e sei lá que mais …

- Continuando: escrevi a um padre hipnotizador e também autor de um livro sobre feitiçaria, hipnotismo, exorcismos e coisas do paranormal. O padre tinha perto de setenta anos de idade. O seu contato vinha no livro. Perguntei se lhe seria possível, por hipnose, resolver-me o problema da minha “tensão nervosa” (sou no dia a dia demasiado tensa, conforme o acabaste de dizer) e até fico rouca com os nervos além de dores de cabeça. Sabes qual foi a resposta dele?! “Isso é falta de amor. Faça sexo, muito sexo. Não é pecado, eu absolvo-a!” Já viste?! Absolve-me!!

- O que é que interessa se é amor, se é sexo? Diverte-te querida, não penses muito e não te metas com gente esquisita!

- Na carta ele também acrescentava a informação de que não poderia hipnotizar-me devido à sua idade, tendo em conta o desgaste magnético a que estaria sujeito.

- Então ele recomendou-te sexo…muito bem! Era um bom padre! Só falta saber se ele quando andava tenso também aplicava esse remédio a ele próprio. Estou cheia de fome! Quando é que o empregado traz a minha comidinha, a tua comidinha, a nossa comidinha… paga por ti!

- O fulano de fim de semana é o da cor violeta?

- Esse já foi! Eu não queria esse gajo para nada! Olha, parece que já trazem as entradas…parecem ser rissóis. Trouxeste alguns dos teus emails para eu ler? Ele tem respondido?

- Estão aqui os últimos emails, meus e dele …

- Tu tens jeito para escrever...escreves bem. Estou admirada contigo. Agora sou uma pessoa importante! Sou amiga de uma futura escritora famosa!

- Deixa-te de coisas! O que eu quero saber é o que achas sobre os emails…

- Bem... tu, minha Lady Mistério, foste ao Brasil e não me disseste nada! Dizes a ele e a mim nada!

- Estás a sabê-lo agora... Não fiques chateada comigo…eu adoro-te!!!

- Eu nunca me zango contigo. Tu sabes disso querida…Tu de facto escreves bem. Eu acho que ele deve gostar de te ler.... Eu gostei. Ele agora responde menos. Talvez não entenda onde queres chegar com tantos emails e talvez esteja curioso para ver até onde o levará esta história contigo...mas espera aí...pareceu-me entender num dos últimos emails que ele te telefonou?! Tens de me contar isso!

- Ele telefonou na sexta-feira por volta das onze horas da noite. A receção do telemóvel não foi das melhores ou seria eu que estava nervosa... O telemóvel tocou e eu pressentindo que fosse ele, desligo a televisão e o rádio antes de atender.

- Tinhas rádio e televisão ligados?!  Precisas de tanto barulho assim à tua volta? Como consegues ouvir tudo em simultâneo?! Tu de facto não andas bem…

- Ele estava com um timbre de voz mais grave que aquele a que eu estava habituada a ouvir nas suas entrevistas e pensei até que fosse alguma brincadeira tua... que tu tivesses arranjado alguém para o imitares. O timbre era bastante grave e apresentou-se de forma rápida. Eu estava sem jeito e dei aqueles risinhos nervosos, que tu conheces, quando fico atrapalhada…tu sabes. Então ele perguntou-me se estava tudo bem comigo, para depois me perguntar se eu estava a chorar.  Olha só a confusão: os meus risos nervosos a parecerem-lhe soluços, eu a não conseguir ouvir a introdução da conversa dele e quando finalmente o entendo pergunta-me se eu estava a chorar! Disse-lhe que não. Disse também que não estava a conseguir ouvi-lo bem... Ele parecia-me agora estar com um timbre de voz mais normal, mais leve e pareceu-me sorrir quando me disse: “Eu estou a ouvir-te bem”. Depois perguntou a minha idade, depois perguntou-me: “O que é que estavas a fazer?” -disse-lhe que não estava a fazer nada de especial. Ele respondeu: “Disseste-me que eu poderia ligar a qualquer hora!....” Vi que ele pensou que a ausência de ruído de fundo se deveria por eu estar provavelmente a dormir e que eu teria ficado incomodada com a hora a que foi feito o telefonema. Penso também que tinha ficado com a sensação, por parte dos emails que lhe enviei, que eu lhe iria dar mais conserva que aquela que ele estava a receber... Tinha-lhe dito nos emails que ele poderia ligar a qualquer hora mas o silêncio no meu quarto e a minha pouca conversa, estavam a perturbá-lo. Apressei-me a dizer-lhe: “Tudo bem! Não há problema!...“ como quem diz: eu não estou a falar muito mas tenho o maior prazer em ouvir-te. Então ele perguntou-me onde eu vivia e com quem eu vivia. Eu respondi-lhe que vivia com a minha família e ele pergunta logo em seguida: “Com quem?!” Acho que ele deve ter percebido: “Com a minha filha!”, pelo tom exclamativo dele. Ele estava a ter demasiadas surpresas: primeiro, eu parecia-lhe faladora nos emails e não era! E agora, tinha uma filha?! Então repeti: “família...“ Ele disse: “Vai escrevendo que eu vou respondendo, um dia passas cá a noite.” Eu fiquei ainda a ouvir aquilo na minha cabeça, sem saber se tinha acabado de ouvir bem. Entretanto acho que ele disse adeus, um beijo ou algo do género, não sei se respondi, não me lembro... Alguns minutos depois acho que percebi a pergunta dele “Com quem vives?” -se eu vivesse sozinha possivelmente viria cá a casa...não sei....

- O final da conversa dele é explícito. Ele é exatamente como eu te o defini logo na primeira vez em que me disseste que tinhas uma amiga (tu) que se correspondia com ele, lembras-te? Ele é curiosidade, emoção, gostei, quero sexo e já! “Um dia passas cá a noite...” Minha querida, quem deveria escrever-lhe era eu! Pensas que ele quer palavras poéticas? Ele quer é foder querida! Ele deve a andar a fazer isso com muitas outras! Andas a iludir-te.

- Querida, o que ele tem não se gasta e depois de lavado fica como novo. Dá para muitas gajas! Ele será assim tão banal? Ele será como tu o descreves?

- Se ele fosse banal até não seria grave! Querida, ele é um fornicador que se aproveita das fans. Assim não gasta dinheiro em putas além de que, metendo-se com fulanas “sérias” licenciadas, inteligentes, evita apanhar doenças sexualmente transmissíveis …

- É difícil de acreditar. Ele quando dá entrevistas parece ser tão humano, tão compreensivo, diferente…

- Cuidado com essa gente chamada “figuras públicas”. Acontece que por vezes, quanto melhor a aparência mais merda escondem…estou-te a avisar! Não penses que foi um privilégio receber uma chamada telefónica dele. Isso deve ser a sua rotina: fazer uma sondagem acerca da idade para se certificar que não se deita com menores de idade, ou velhas demais, além de querer certificar-se se são manipuláveis e sei lá que mais. Não será mais sensato mandares o fulano à merda? Ou um dia, será ele a fazê-lo a ti quando constatar que não irás alinhar no jogo dele…

- Talvez….

- Até pode ser que ele procure alguém diferente mas, ele deve ter muitas gajas de todo o tipo e género: diferentes, banais, ordinárias, extraordinárias… Não te iludas. Ele não consegue desabituar-se daquilo a que está habituado: sexo fácil e a mesma mulher só por uma noite ou pouco mais... Possivelmente ele nem quererá uma mulher em particular… simplesmente não resiste a ser sedutor. E elas pensam que o cativaram! Entretanto ele deixa de responder aos emails ou aos telefonemas. Elas pensam que ele está ocupado com os concertos e só com o passar do tempo é que elas entendem que ele se foi embora. Eu saberia lidar com um tipo daqueles, sei como funcionam... Vais magoar-te! Salta fora enquanto podes, agora dói pouco. Se continuares a escrever-lhe vais envolver-te sem dares por isso e vai ser bem pior... Esta história não tem futuro. Numa primeira impressão ele até parece ser algo que valha a pena: tem alguma fama, algum prestígio social, dinheiro, talvez até seja um homem diferente... mas cuidado! Ele pode ser só falsidade, dos que encantam por um minuto e dececionam para o resto da vida. Também acho que ele só será “fiel” a uma mulher, quando somente estiver num sentido muito descendente na sua carreira profissional. Quando os grandes meios de comunicação já não se interessarem por ele. Os artistas têm destas coisas…quando caem, raramente se reerguem e ficam cada vez mais esquecidos no tempo…aí as tentações, sob a forma de mulherada, irão reduzir significativamente e ser-lhe-á mais fácil ser fiel.

- A comida vem aí! Vou aguardar e ver como as coisas irão evoluir entre nós…

- Não é para te desanimar mas acho que até uma rapariguinha de quinze anos veria que ele é malandro.... Já reparaste que ele é o tipo de homem que faz por penetrar bem no coração de todas? Ele é oferecido: “Queres-me?! Vem...sou muito acessível!” Ele quer apenas sexo. Sei lá se ele sabe o que é o amor. Já te disse: cuidado! Tu és frágil! Não tens a minha resistência psicológica para as palhaçadas do amor! Tu cuida-te querida! Prometes-me que vais cuidar bem de ti própria e não deixar que te magoem?

- Ok…

- Anima-te, não fiques triste com as minhas verdades. Olha, vou-te pôr-te a sorrir! Vou contar-te a minha história com o violeta!

- Os pratos de polvo já aí vêm! Mas tu não tinhas terminado com ele?

- Sim terminei mas houve coisas que não te contei. A coisa foi assim: eu queria lixar-lhe o juízo pois eu gostava dele mais do que eu queria mas ele estava numa de parvo, de independência, em relação a mim. Então meti-me no apartamento dele, ainda tinha a chave comigo, na cama com outro homem...

- Na cama? Ele estava com outro homem na cama?!

- Não querida!! Eu é que fui para a cama dele com outro homem!!

- O quê?! Nem as telenovelas têm histórias destas! Conta essa história! Estou a dar-te audiência máxima!

- Só se me chamares de querida!...

- Querida licor de caramelo que gosta muito de polvo... conta-me a história!

- Eu disse-lhe que a casa era minha. Ele nem teve tempo de ver bem o apartamento porque fomos logo para a cama. Tentei prolongar ao máximo os preliminares senão quando o violeta chegasse já não haveria nada para ver: a coisa já teria terminado e eu não teria feito o jogo!... Então antes de ir para a cama, telefonei ao violeta dizendo-lhe que tinha uma coisa urgente para lhe mostrar, para ele estar em casa em breve. Perguntei-lhe se o podia aguardar no apartamento. Ele disse que sim. Mal eu ouço a chave entrar na porta  entro na coisa com o homem. Estávamos ambos nus na cama do violeta. Aquilo era só sexo! Pus-me a gemer bem alto para ele ouvir, não fosse o palerma do violeta por não me ver na sala de estar ainda se lembrar de voltar a sair e descer para ir ao café, ali mesmo na esquina, beber alguma coisa! Os gemidos chamaram depressa a atenção do violeta… Se visses a cara dele a olhar para o homem nu em cima de mim!

-  Como é que o violeta reagiu? Deve ter ficado com cara de lixado, não?

-  Pois…também eu pensava que ele iria ficar chateado e ter uma má reação mas quando dou por ela, estava o violeta já todo nu também a querer coisar comigo!... O outro gajo estava agora debaixo de mim, pôs-se nesta posição com o susto pela entrada inesperada de um estranho no quarto,  mas agora parecia estar mais excitado que nunca! E eu? Eu estava prestes a estar metida não com um, mas com dois tarados! Ao tentar sair de cima do gajo, este não me largava! E o violeta por trás, a agarrar-me o cabelo com as mãos e a tentar penetrar-me! Eu com raiva por o violeta estar a gostar disto tudo, prego-lhe uma cotovelada e logo em seguida prego um soco, num olho, ao que está debaixo de mim. Ainda toda nua, fui buscar ao saco o spray anti atacante com o qual eu ando sempre. Faz arder os olhos que se farta.. Demorei a encontrar o saco e passaram-se alguns minutos. Quando volto ao quarto, estavam os dois a acariciarem-se! Se visses a minha cara! Fiquei furiosa! O meu plano? Arruinado! O violeta não ficara ciumento e como se não bastasse estava a tirar proveito com um homem que eu arranjara para mim! E pelos vistos estava a gostar muito mais dele!... Olha, dois violetas na violetice!

- Deixa-me rir!…

- Pois... eu sou o máximo! Eu estava furiosa...os dois quase a rirem-se da minha cara! Eu estava eu ali com o spray nas mãos, sem saber o que fazer mas ao ver que eles se riam na minha cara tive o impulso de lhes pulverizar os olhos, a coisa e o traseiro!

- A quem? Ao violeta?

- Aos dois! Como estavam excitados não se aperceberam do que eu levava na mão. Estavam demasiado excitados para pensarem ou defenderem-se. Pulverizei-os! Estava finalmente a divertir-me! Comecei a rir-me: eles contorciam-se os dois. O primeiro a contorcer-se foi o violeta que estava em cima do outro. Depois o debaixo, que inquieto com as dores e incómodo sentido nos olhos a arderem e, mau paladar na boca pois também aí apanhou spray, empurra o violeta abruptamente da cama para o chão... Agora o violeta gemia a sério. Se gemia! Começou a chamar-me de filha-da-puta! Eu disse-lhe: “Eu posso ser puta mas a minha mãe é honrada! Seu palerma!“ E premi mais spray em cima dos olhos do violeta!

- Tu és demais!

- Apanhei a minha roupa e as chaves do carro dele... Eu não estava conformada! Eu tinha de lhe lixar o juízo! Guiei o carro dele para uma rua deserta ali próxima e bati, propositadamente, contra um posto de iluminação da rua. O carro não ficara muito amassado e ainda andava. Então a maior velocidade (embora não muita para não me magoar seriamente) bati contra uma árvore! Desta vez fiquei bem atordoada! Mas não consegui amolgar o carro conforme eu queria! Acreditas?!

-  Que azar!

- Para estragar o carro conforme eu queria teria de embater com maior velocidade e aí podia parar ao hospital com ossos partidos.

-  E depois? Como saíste dali? O carro ainda andava?

-  Sei lá se o carro andava…eu estava toda dorida pelos embates contra o poste de iluminação e depois contra a árvore. Antes que viesse alguém ver o que se passava, desliguei as luzes do carro e fugi descalça com os meus sapatos na mão, para o mais longe que pude... mal eu vi relva deitei-me. Tinha a cabeça e o corpo muito doridos. Maldito embate! Danificou mais a mim que ao carro mas mesmo assim, fodi razoavelmente o carro do violeta! Ao longe viam-se carros a pararem por quererem observar de perto o acidente. O carro do violeta estava a verter líquidos: óleo, água...os carros paravam com as luzes apontadas ao veículo para melhor verem se existiriam possíveis vítimas... Eu ao longe observava tudo aquilo... O polvo acabou! Pede-se mais uma dose?

- Vamos a isso!

- Tu podes ficar em minha casa se quiseres, vives a maior distância que eu do emprego…em breve serão onze horas da noite. Iríamos juntas amanhã para o trabalho, o que achas?

- Quero trocar de roupa, tenho de ir a casa. Estou com a roupa e o cabelo a cheirar a comida e daqui a pouco, ao teu fumo de cigarro. Ainda vais fumar, certo?

- A propósito do cantor...dizes no penúltimo mail que gostarias de o conhecer pessoalmente. Finalmente! Já chega de emails!

- Tens razão…

 

 

Data: Sábado,  12 Dezembro 1998    18:32h,  *Assunto: “Coisas sem sereias”

....então, está tudo bem? O título do email é  chamativo, não é?

De facto este mail será mesmo sem sereias pois não irei aludir a elas.

Sendo eu uma bruxa, não tens medo que te lance uma praga?

Sabes…sou uma bruxa boa. Se vejo uma mosca ou uma abelha a afogar-se, vou imediatamente socorrê-la e observo se ela consegue recuperar o fôlego! Só falta mesmo fazer-lhe a respiração boca a boca…sou boa rapariga…gosto de prestar auxílio…

Na sexta-feira passada vinha de regresso do trabalho, era já  noite, ia de carro e pareceu-me ver pendurado numa encosta, pela coleira, um cão branco.

Fiz marcha atrás e liguei os quatro piscas do carro. Saí e vi que afinal era uma cabra branca que ao ver-me fez mé-mé-mmééé-é-é!

Em frente à encosta do terreno estava eu: “O que faço agora?!”

Parada na estrada com o carro mal imobilizado, devido à minha rápida saída, estava eu... “O que faço eu agora?!” Do outro lado da estrada avistava-se um café. Parecia  ser muito frequentado pela grande quantidade de pessoas que estavam a entrar e a sair do mesmo. Dirigi-me para aí e pedi auxílio.

Trouxeram uma faca para cortar a corda, caso não se conseguisse içar a cabra para o terreno onde teria estado inicialmente o animal.

A verdade é que cinco minutos após eu me ter dirigido ao café em saltos altos e  jeans justos, que nem sempre uso pois é giro de se ver mas é desconfortável (aperta!!!), a cabra estava  içada!  Mas durante o processo ela não parava de dizer mé-mé-mm-é-é-ééé!  Deveria estar a dizer: “Vou morrer! Estão esganar-me! Puxem devagar!” Depois disso ainda continuou com o mé-mééé. Agora deveria estar a querer dizer: “Merda de dia!”  Entretanto, perguntei se era uma situação usual por ali: ver uma cabra pendurada! Pois quem passava na estrada, ou próximo, não a viu ou ignorou-a. Um deles respondeu-me: “A cabra que não fosse burra! Está muitas vezes ali a pastar, presa por uma corda comprida atada a uma pequena árvore junto à encosta! Está farta de saber que se descuidar cai! Em todo o caso não tinha reparado que ela estava naquele estado de quase enforcada senão teria ajudado o animal, claro!”

Há muita gente amiga! Este mundo é fantástico!

Gostaria que me escrevesses algo mas se não o fizeres, eu sei que és VIP e nunca tens tempo! Se não me escreveres como sou uma bruxa boa, não te rogarei uma praga

 

 

Data: Domingo,  13 Dezembro 1998    03:58h,  *Assunto: Re: “Coisas sem sereias!”

Gostava de ter uma fotografia de ti, bruxa mas não má.

Pode ser em jeans a saltos altos. Possível?

     

 

      

 

Data: Domingo,  13 Dezembro 1998    10:43h,  *Assunto: “ Foto “

Não tenho foto atualizada. Para cúmulo, não possuo sequer máquina fotográfica. No Brasil não sei  se a perdi ou se me a roubaram mas, terás foto minha.

Posso desde já dar-te alguns traços: 1.59m, cabelos pretos longos e quase bela

Vou tirar fotografias no fotógrafo...embora não goste muito...dificilmente acho que estou bonita… mulheres!  Sabes como são!

 

Data: Segunda-feira,  14  Dezembro 1998    19:26h,  *Assunto: Re:” Foto “

Envia a foto para o meu APARTADO  em meu nome. Um beijo

 

 

Data: Sábado,  19  Dezembro 1998  17:23h,  *Assunto: “10 Pontos”

Ponto 1

Olá! Nada disseste mas subentendo que recebeste a foto, caso contrário, se ainda não a recebeste algo correu mal e ela está extraviada. Se ocorreu o último caso diz-me, enviar-te-ei outra e desta vez ela não  te escapará

Mas o mais provável é que a tenhas recebido.

Gosto, por vezes, de ser pessimista porque ou eu tenho razões para estar pessimista ou, então é apenas uma cisma pessimista.

Em ambos os casos fico otimista pois no primeiro caso, ter razões para estar pessimista, como já  havia uma preparação psicológica prévia, não há surpresa má para mim e no segundo caso, sei que é apenas uma cisma e que tudo vai acabar bem.

Mas é verdade que as coisas reais ou “as realidades ásperas da vida” me chateiam e apetece-me cortá-las sempre em pedaços cada vez mais pequenos até ficarem invisíveis!

Ponto 2

Irei vaguear por aí, este fim-de-semana, pub ou discoteca, com um grupo de amigas. A acrescentar a isto, o tempo de unanimidade da  decisão: muitas cabeças  pensadoras e os gostos relativos não se discutem…muitas opiniões…demora-se a decidir a onde ir.

Ponto 3

Preciso urgentemente de estudar, tenho exames brevemente. Tenho de cuidar-me senão...ai... ai... ai... aiiiiiii (ando a tirar uma segunda licenciatura… ligada à computação conforme já te  disse num anterior email…)

Ponto 4

Estou com problemas devido a eu gostar de perceber os esquemas mentais das pessoas e isso é um problema, não achas ? Ninguém me diz explicitamente como é que a sua própria cabeça funciona!

Gosto de pessoas rebeldes, sensíveis e inteligentes.  Sou eu… Sabes o que isso é, não sabes? Creio que também és um.

Ponto 5

Quando a profissão não é apenas um meio de subsistência, trabalhar até é bom!

Dinheiro... quanto mais se ganha, mais necessidades se materializam...

Dá mesmo vontade de tudo abandonar e ser pobre...Claro que isto é uma tolice! Penso que é super bom ser-se super rico!

Por acaso não necessitas de alguém para te ouvir cantar, chorar, barafustar, dizer piadas...para te ouvir dizer coisas com muito sentido ou, quando te apetecer, coisas muito pouco  inteligíveis?... Para esse emprego peço apenas metade do salário mínimo    Apenas o suficiente para eu poder não morrer à fome. Não gosto de fome!…gosto de comer! Tenho aversão às dietas alimentares. Consigo comer pickles, seguido de um copo de leite, depois ananás em calda, depois cerveja, depois  mais leite, depois outra vez  pickles.  Como está o teu estômago a reagir a toda esta comida?

Ponto 6

O Iraque... fala-se tanto agora nesse país e numa ameaça de uma guerra química! Vou falar-te novamente da vidente, do Brasil. Na altura, questionei-a acerca da minha duração terrena: tenho mais 40 anos de vida pela frente, segundo ela.

Também a interroguei acerca da possibilidade da existência de uma guerra em grande escala. Ela disse que haverá uma guerra química e que já foi iniciada. Perguntei-lhe então, sendo assim, como poderia eu viver aquele número de anos, ela disse: “Haverão países que não serão afetados, o Brasil será um deles, muita gente irá refugiar-se cá; outros países não afectados serão Portugal, França, Itália...” -mencionou ainda mais países mas não me recordo quais.

Também referiu que quando morresse o atual Papa (João Paulo II) nasceria o Anti Cristo. Acrescentou ainda que Cristo regressará  novamente, e em breve, à terra mas sob a forma de mulher. A mãe de Cristo já tinha sido eleita: era brasileira, desconhecendo a própria tal destino mas que já estaria a ser vigiada por três guias espirituais.

Eu avisei-te num email anterior, sobre a minha ida ao Brasil, que tinha ouvido umas coisas esquisitas por parte de uma vidente! E isto ainda não é tudo! Queres-te rir um pouco mais? Cá vai: disse também que tu serias a minha porta! (não sei a que porta se referia… não percebi! E tu? Sabes do que ela estará a falar?)  Ainda há mais! Disse que eu um dia seria muito, mas mesmo muito famosa…falava em termos internacionais, acreditas?! Fiquei pasma! Depois também disse uma coisa triste a teu respeito, não sei se devo partilhar mas aqui tens o que me foi dito: em tempos tiveste uma grande depressão e que tentaste o suicídio…que és bastante inseguro embora agora estejas um pouco mais seguro de ti próprio e que demonstras, por questões de aparência, ser sempre muito auto confiante… Ela também disse que não havia grande união na tua família, entre ti, os teus irmãos e pais…cada um seguia a sua vida…os contatos eram pontuais, coisas do ritmo da vida moderna… Acrescentou ainda que tu tinhas um filho embora não o revelasses publicamente, para já, para não afastares as fans… Disse que com a tua forma de ser bastante infiel davas grandes, e sucessivos, desgostos a várias mulheres que em ti tinham confiado e a quem iludias intencionalmente, com grandes danos psicológicos para elas… Que isso te traria um mau karma…que um dia o teu brilho musical iria começar a decair gradualmente e definitivamente…nunca mais te irias reerguer.

Espero não estar a ser desagradável…tu não acreditas em videntes, pois não?

Ponto 7

Há dias veio parar-me às mãos uma revista sobre assédio às figuras públicas, principalmente às do meio artístico, sendo a maior parte dos assédios realizados pelas mulheres aos homens. Fiquei com uma interrogação incómoda a pesar-me nas costas: “Será que eu ando a assediar-te? “Não gostaria ver-te pensar que te assedio. Só se achares que isso é uma coisa boa 

Ponto 8

O que sucederia se cada um de nós, no dia do seu aniversário, se optasse  por  festejar os minutos completados em vez dos anos? Pareceríamos milenares, super velhos! Tantos minutos! Usando apenas a contagem de anos ficamos com melhor aspeto! Mas não acredito que se deva deixar ser a idade a estabelecer as circunstâncias.  Já bastam as pessoas!

Ponto 9

(poema)

"Tenho febre, Fervo, Mas não tenho calor, Somente absurdos…

Apetece-me dançar, Um dos teus dois braços prende o meu corpo, O outro braço certifica-se de que estou bem presa, Cabeça pousada no teu ombro, Contraditória é a realidade do movimento, Presa a ti movimento-me mais livremente…

Em volta os objetos  respiram o oxigénio, Eles fazem o contrário de mim, Eu sustive a respiração, Em breve perderei os sentidos, Tenho de perder-me, Sinto demais... Perdendo-me, Não sabendo de mim, Também não saberei dos meus demais sentimentos, Perdidos ficarão…

Adoto postura de indefesa para me dares  protecção, Deixo que sejas um poder que me afasta de mim  própria, Cada ser fantástico procura um da sua espécie, Quando me transformo num ser fantástico, Necessito saber que não estou só, Estás comigo?" (fim)

Ponto 10

Abraço

 

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