Capítulo 3

Sobre mim

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O meu nome é Ninfa Artemis.

O meu grupo sanguíneo é O positivo e sou dador universal para o RH+.

Sou autora de todas as letras e músicas que interpreto. 

Relativamente à minha vida pessoal: sou solteira, não tenho filhos, tenho curso superior e nos últimos anos, quando não estou no emprego, todo o meu tempo livre é investido na música. Para além deste trabalho árduo todo, existe somente a esperança: eu irei triunfar!

Como tudo começou? Videntes, profecias e palermices.

Quem está nestas coisas da música sabe que a minha ingenuidade, e desconhecimento de como as coisas funcionam no mundo da música, poderia ter resultado num riso trocista, vindo de músicos profissionais experientes. Seria um riso trocista com compaixão? Não sei. Mas eu consegui cantar,  escrever, compor e gravar as canções!

Desde pequena que gosto de música e parece que ando agora numa de compromisso sério com ela! Durante muito tempo a música foi passiva em mim: simplesmente adorava ouvir música mas agora: crio música!

As minhas circunstâncias musicais: nunca tive próximo de mim alguém ligado à música - nem familiares, nem amigos, nem colegas de trabalho, nem amigos de amigos, ninguém! E mesmo hoje só tenho o músico com quem trabalho no estúdio. Nunca tive formação musical, nem dada por professor particular nem dada por escola alguma. Também nunca procurei essa formação. Como poderia saber que eu iria enveredar pelo mundo da música?!

Os anos passaram, licenciei-me, comecei a trabalhar e alguns anos mais passaram. Depois por circunstâncias várias, andava eu à procura de respostas para a minha vida, principalmente para a afetiva que foi sempre pobre, caótica, povoada de pessoas muito centradas nelas próprias, inseguras, emocionalmente desestabilizadoras e sugadoras de energia emocional. Eram estas as pessoas que eu atraía, embora inicialmente eu achasse que estava a atrair exatamente o oposto.

Entretanto encontrei videntes que insistiam, e afirmavam, existir um outro rumo para a minha vida; que o meu emprego que conservava há anos, um dia tinha de ser, e seria, abandonado.

Na música, sou rápida na composição da linha melódica mas o ritmo de concretização dos projetos musicais em estúdio é lento: depende da minha disponibilidade e sobretudo da disponibilidade do músico.

Posso informar que primeiro escrevo a letra (o texto da canção) e só depois faço a melodia usando a minha voz pois, não toco instrumento algum.

O músico sempre me disse que eu fazia a casa pelo teto. Eu por sua vez, nunca percebi como é possível que os músicos comecem primeiro pela melodia e só mais tarde, eles ou outros, concebam a respetiva letra. Considero ser mais difícil criar palavras que se encaixem exatamente na métrica da música que criar uma música que se encaixe no sentimento e métrica das palavras já existentes.

As regras musicais existem, os músicos foram educados nelas e embora eles digam que na música tudo é possível, quando aparece alguém (eu) que compõe apenas por instinto, e com desconhecimento total das regras musicais, usando a voz como único instrumento de composição, sem o suporte de um piano, viola ou outro, vi os músicos mudaram rapidamente o seu discurso: de “tudo ser possível” em música, passou para “ausência de resposta” após tomar conhecimento do meu projecto.

Eu precisava de ajuda para a concretização das canções. Mesmo nas minhas circunstâncias de ignorância, eu queria fazer canções!

Procurei os músicos em escolas, academias e conservatórios de música.

Qual era o problema das minhas composições vocais/musicais?

Ritmo irregular e mudanças tonais devidas à inexistência de um fio condutor dado por um instrumento musical, e acima de tudo, pela inexistência de experiência musical minha. Portanto, as minhas falhas eram normais nessas condições. Alguém aventurar-se a fazer canções, nessas condições, é que é anormal! Muito anormal e de resultados imprevisíveis

O músico do estúdio com quem trabalho, tem licenciatura em “Gestão e Administração de Empresas” e mestrado em “Economia Internacional”.

A sua licenciatura em nada está relacionada com a música, tal como a minha licenciatura. No entanto o músico, ao contrário de mim, desde muito cedo concretizou a sua vocação para a música.

Confidenciou-me que com dez anos de idade se iniciou na guitarra e foi aprofundando, ao longo do tempo, os seus conhecimentos musicais. Mais tarde, paralelamente à sua atividade profissional como gestor, manteve sempre o exercício da música incluindo atuações ao vivo. E, há vinte anos atrás fez uma opção definitiva, e exclusiva, pela música.

Este músico é, até ao momento, o único responsável por todos os meus projetos: execução musical, engenharia de som, arranjos, mistura etc. A produção executiva está a meu cargo, ou seja, eu por ideias dito ao músico o que pretendo em termos sonoros.

As músicas são minhas e não o reflexo de fórmulas do mercado discográfico: para já faço as músicas que quero e conforme quero. Nada nem ninguém me pressiona a fazer o que eu não quero fazer.

Não posso afirmar que conheço a realidade das editoras discográficas ou que conheço as fórmulas de venda que garantem os sucessos comerciais mas suponho que querem cantoras muito bonitas, muito jovens e que cantem muito bem.

Eu sou bastante criativa e apenas isso.

Apesar de não me ter deixado paralisar pelo medo, começo no entanto a percecionar que muitos artistas/bandas batalham por ter uma “máquina económica”, sob a forma de uma grande editora discográfica, que suporte todas as despesas do marketing. Este por sua vez aplicará ao mercado todas as técnicas conhecidas que possam garantir o sucesso comercial do artista ou banda, em causa.

O marketing serve para passar uma imagem fabulosa do artista, e também, isso é que é insuportavelmente caro, para publicitar e divulgar em todo lado, e a todo o momento, o artista/banda e a canção escolhida pela editora discográfica, como promissora de sucesso, incluindo nos principais meios de comunicação.

No estúdio do músico observo algumas situações. Observo que há muita gente como eu a gravar música por conta própria -todavia os que vejo por lá passar seguem a lógica: primeiro experiência musical e depois a gravação de um CD. Eu ando ao contrário: nenhuma experiência e gravo um CD de música.

Observo também que muitos dos artistas que vão fazer gravações ao estúdio do músico em causa, ficam-se por covers de músicas de sucesso, sendo minoritários os que fazem gravações de temas da sua própria autoria. E observo ainda que no estúdio há casos em que o cantor escreve apenas a letra e a entrega ao músico pois, ele também é compositor tendo inclusivamente feito música instrumental (sem voz) para anúncios publicitários.

Os cantores/bandas sentem-se tão visíveis, para a maioria do público, quanto as moléculas de oxigénio do ar que respiramos. E assim invisíveis continuam se, invisíveis permanecerem aos principais meios de comunicação tais como rádio, televisão e imprensa escrita. Infelizmente nesses meios são mencionados quase sempre o mesmo lote de artistas/bandas e daí, muitas pessoas não se aperceberem da existência de uma enorme quantidade de novas canções de outros artistas/bandas dos mais variados géneros musicais.

Tal como nos hipermercados em que os artigos com uma forte publicidade aparecem nas prateleiras que estão ao nível dos olhos, e não nas superiores ou inferiores, tornando-se assim mais visíveis, também na música é preciso uma exposição imediata aos “olhos” senão as pessoas não vêem a nossa existência.

Para mim, que estava do lado de fora, a rádio e a televisão pareciam ser muito amigáveis. Ou seja, induziam-me a ideia de que todos os artistas tinham igual oportunidade de se expressarem musicalmente.

Obviamente que eu andava distraída: se tal fosse verdade, não seria necessário a existência de uma grande máquina económica capaz de suportar o marketing caríssimo.

Andava eu perdida na minha vida pessoal, que estava mal, quando no domingo à noite, 13 de Fevereiro de 2000, finalmente me convenci de que conseguiria escrever letras para canções. Nesse domingo à noite, ao telefone, uma vidente brasileira a viver no Brasil perguntava-me porque não canalizava a tristeza que eu estava a sentir para a escrita de letras de canções?  Segundo ela, eu tinha uma capacidade inata para a escrita.

Mas eu estava centrada em acusá-la, quase diretamente, de responsável por essa minha tristeza devido a erros seus de previsão, através da leitura do tarot, em finais de 1998. Ela retorquiu: “Você tem uma capacidade inata para a escrita. Escreva letras para canção. Você vai ser cantora. Vai ser muito famosa, vai ver o mundo. Uma multidão de multidões virá até si e bons momentos virão. Relativamente a ele, você verá que não passou de uma paixoneta…” e nada mais disse por estar ressentida com as minhas acusações e a conversa terminou aí.

Conheci esta vidente, em finais de 1998, numas mini férias ao Brasil. Ela tinha o seu emprego “normal” de dia e à noite fazia sessões individuais de vidência, bastando-lhe para tal o nome completo do consulente, data de nascimento e o seu próprio baralho de cartas de tarot. Disse-me que havia alguém interessado em me conhecer melhor.

Alguns meses antes tinha começado a corresponder-me por email com um músico, que juntamente com a sua banda tinha alcançado alguma relativa notabilidade. Os emails eram coisas simples sem importância.  

A vidente acrescentou que o homem da minha vida, era também a minha alma gémea, que nós já tínhamos estado juntos numa outra vida, que nos encontraríamos novamente nesta vida e, que quando tal sucedesse, ambos sentiríamos um choque, uma espécie de susto pois iríamos ter a sensação de que nos conhecemos desde sempre.

Segundo ela, eu tinha sido retirada a ele (o meu grande amor de outra vida e desta vida) por ter sido assassinada.

Disse que o assassinato tinha ocorrido, alguns séculos atrás, em Inglaterra e era por isso que eu sentia uma sensação de desconforto quando lá ia.

Não sei como ela tinha tido a certeza de que eu alguma vez tinha estado naquele país mas de facto num Verão, numas curtas férias, visitei Inglaterra e não sabia porquê, não conseguia estar alegre tendo-se agravado quando visitei os castelos.  

Esse agravamento não sei se teve relação direta com aquilo que a vidente revelou ou se eu estava simplesmente naquela altura do mês.

A vidente ficou absorta nos seus próprios pensamentos.

Debruçou-se sobre as cartas para ver melhor não sei o quê -ela parecia estupefacta. Readquiriu a postura normal na cadeira, endireitando o corpo. Estava sentada e as cartas lançadas sob uma mesa rectangular, num pequeníssimo quarto tipo escritório e diz-me: “Nunca vi tal coisa em vinte e quatro anos que exerço o dom da vidência: ele será todo seu! Da ponta do cabelo até à ponta do dedo do pé! Um homem será a sua porta! Um homen será a sua porta!”

Isso foi em finais de 1998, mas só em Fevereiro de 2000 iniciei a escrita de letras de canções e em Abril de 2002 a composição de linhas melódicas.

Cheguei a pensar iniciar a composição das melodias em janeiro de 2002 mas fui adiando até que em abril ganhei coragem e comecei-as a compor.

Portanto à frase “Ele será a porta!” não dei importância alguma por poder significar muita coisa, e mesmo hoje que me associei à música não sei se a “porta” será alguma oportunidade dada ou se de facto o desastre com o músico “do email” já tenha sido essa “porta”.

Por palermice minha, associei esse homem espetacular da vidência a esse tal músico com o qual tinha começado a corresponder-me por email.

A minha cisma parva fez com que os meus emails, que eram pontuais, se intensificassem. Eu escrevia um pouco sobre tudo de tal maneira que, quando surgiram os primeiros blogs na internet, estes lembravam-me os emails que eu escrevia ao músico: pensamentos, coisas sérias, coisas engraçadas, histórias fictícias, histórias verídicas, textos banais ou simples poemas.

A banda do qual esse músico fazia parte, estava em digressão constante aqui e acolá, e no estrangeiro também, apesar de não serem famosos.

Ele achou graça aos meus emails e alguns meses depois, quando a sua agenda lhe deixou algum tempo livre, quis conhecer-me pessoalmente.

Iniciei as composições musicais três anos após esse encontro.

Apesar dos sinais (atos dele) gradualmente mostrarem o quão desastrosa a minha “relação” com ele se poderia tornar, não me afastei imediatamente dele.

A minha má interpretação da vidência ouvida da boca da brasileira em finais de 1998, o meu mau encantamento por ele, e porque é bom ter uma paixão na vida, levaram-me a insistir no erro durante bastante tempo.

Foi um “relacionamento” ingrato que me desestabilizava psicologicamente, tendo afetado também a minha saúde. Entrei de tal forma em stress que este me envelhecia o sangue: comecei a ter dores de ossos e a sentir um frio horrível em pleno Verão onde cheguei a dormir com doze cobertores grossos na cama, mal aguentando o seu peso.

Estando eu cansada das consultas e exames médicos, sem melhorias e com tendência a piorar, decidi consultar uma curandeira.

Através da imposição das mãos na minha cabeça ela fez o seu diagnóstico.

Disse-me que eu estava a destruir-me psicologicamente, que eu estava a sabotar-me, que eu própria minava ferozmente a minha auto estima e que uma tristeza profunda me perseguia. “O que se passa consigo? Porque está tão triste assim?” –perguntava-me ela.

Porque estava eu triste?  

Porque sentia eu tudo entristecido, tudo diminuído, tudo vencido?

Era o medo do amanhã; era o medo de não saber onde encontrar um outro mundo onde a minha imaginação quisesse ecoar maravilhas; era o choque de ver que eu era influenciável por videntes. Acima de tudo, era o choque de eu ver que as minhas palermices eram ácido que corroíam os portões onde a lógica e o senso comum, se resguardavam. A lógica tinha fugido! Os portões auto destruíram-se e deixaram-na partir!

A acidez das minhas palermices corroeu os portões… tão esburacados estavam os portões da lógica! A lógica escapou-se por entre esses enormes buracos e do lado de fora, qualquer coisa podia entrar! Entrou a palermice! A “relação” entre eu e o músico/cantor durou ano e meio.

Na altura em que consultei a curandeira, tinha seguido o conselho da vidente brasileira e escrito muitas letras para canções.

Apesar da rutura com o referido cantor, como não ficámos inimigos, apresentei-lhe por email algumas dessas letras.

O mundo da música sempre teve sobre mim um enorme encantamento.

Esse cantor também encantava e irradiava charme e, fazia parte dos cantores “vedetas” cheios de “qualidades” que até participam em concertos de solidariedade.

Lá longe, algures, estão as pessoas que apenas da esperança vivem!

A esperança de que não irão morrer de fome… pois naquele momento, lá longe, algures, está a decorrer um concerto sem fins lucrativos que reverterá totalmente a favor deles - eles que aguardam esfomeados.

E cá por perto, onde abunda comida, o que se está a passar? Há pulos, alegria e música! Esses deram dinheiro para o bilhete de entrada que reverte totalmente para um grupo de gente necessitada que está lá longe.

Os que pulam ao som da música pagaram o bilhete para estarem aos pulos e alegres e, não se interrogam com que dinheiro é pago o trabalho de toda uma equipa técnica, transporte de material som e luz, aluguer do espaço do evento e muitas outras coisas.

A música está boa! Grande som!

E eu? Onde estou eu?

Se for final do mês, possivelmente numa caixa de multibanco a fazer uma transferência em forma de donativo para entidades que tomam conta de animais abandonados e entidades com fins humanitários.

Nos outros dias do mês estou maioritariamente na modalidade casa-trabalho e vice-versa. As minhas relações sociais merecem, e sempre mereceram, elogios fúnebres!

E agora estou mesmo com cara de quem está no seu próprio funeral pois o mundo da fantasia cor de rosa foi-se embora!

A realidade faz os meus dias tristes. Nada vale a pena. À minha volta todos optam pela estabilidade e anseiam serem realistas na escolha da melhor solução para “bem viverem na vida”.

Eu escolhi viver num barco que balança que se farta… o barco que navega pelas águas imprevisíveis, instáveis e emocionantes da música!

Eu estava numa fase muito tardia para mudar de vida e enveredar pela música. Além de, uma vez mais repito: inexperiente, sem contactos profissionais no mundo da música e absolutamente nenhuma formação musical.

Esta realidade massacrava-me a alma!

Mas mesmo assim isto nunca foi obstáculo. Eu mantive o pensamento firme na minha mente: insistir na minha ideia de enveredar pela música e numa forma de lá chegar.          Voltar à minha vida anterior, nem pensar!

Eu queria manter algum vínculo com a música em termos de criatividade.

O manter-me psicologicamente dependente do cantor do email permitia-me manter esse vínculo de ligação: incentivava-me a estar atenta a todos os movimentos dele e da banda bem como, atenta às entrevistas dadas por outros músicos/bandas/vocalistas.

Desta forma eu tentava absorver conhecimentos desse “mundo” que me era totalmente desconhecido: tentava vislumbrar a forma como eles foram descobertos por uma grande editora discográfica até como encontraram o seu manager e inclusive, conselhos em como triunfar no mundo musical.

“Para vencer na música deves tentar ser tu próprio. Não imites. Sê tu mesmo!” –dizia um vocalista de uma mega banda rock internacional.

Ele (o músico dos emails) não me tinha devolvido resposta, opinião ou desejo de boa sorte, relativamente às letras para canção que eu lhe tinha enviado. Eu estava só e ele estava concentrado no sucesso dele e, da sua banda.

Se eu decidisse avançar para a música teria de fazê-lo sozinha.

A curandeira estava a perguntar-me: “O que se passa consigo? Porque está tão triste?” - encolhi os ombros, como quem diz que não sabe explicar o que se está a passar comigo. “Sinto-me exausta física e psicologicamente”, foi assim que lhe resumi a minha situação.

Ela disse que eu estava com uma grande falta de vitaminas no corpo e acima de tudo, com um grande défice de ferro. Fui à farmácia e pedi um suplemento forte de ferro.

Eu que andava com um frio persistente em pleno Verão, livrei-me dessa forma dele!

Aquele montão enorme de cobertores de lã de inverno foi tirado da minha cama e direto para o armário! Dei-lhe uns socos valentes para os obrigar a ficarem dentro do armário, pois eu estava a não conseguir-lhes fechar a porta por serem grandes demais!

Uns socos extra e eles encolheram-se!

Sou de nacionalidade portuguesa e fui criada no campo, exceto dos quatro aos dez anos em que vivi na Alemanha onde os meus pais foram imigrantes.

Acrescento também que curandeiros, bem como o paranormal, fizeram desde muito cedo parte da minha vida. A minha falecida avó materna de cabelo negro, pele branca como a neve e olhos azuis escuros, era curandeira.

A minha avó teve uma vida muito árdua. Trabalhava no campo. Atravessou os tempos difíceis dados por duas guerras mundiais.

Alguns dos seus nove filhos, nasceram durante a segunda guerra mundial em que os tempos eram de muita escassez e fome.

Com fome se deitavam na cama, com fome se levantavam mal amanhecia.

Levantavam-se para irem trabalhar nos campos ali perto ou para outros mais afastados, precisando aí de percorrer a pé (não havia dinheiro para outro meio de transporte) longas distâncias no ir e no voltar.

O estômago não se habituava à fome e buscava alimento na carne debaixo da pele – ficavam apenas a pele e os ossos.

A minha avó curandeira interrompia os seus trabalhos no campo para prestar auxílio a quem lá ia, adoentado, pedi-la.

Os seus conhecimentos eram “inatos”, não aprendeu com ninguém mas de algum lado vieram esses conhecimentos… do lado do paranormal?

Usava rezas sobre o adoentado bem como, preparava poções com ingredientes que ela comprava na farmácia. No meio daquela miséria e fome, quem tinha dinheiro para ir a um médico?!

Eu acredito no “Invisível”.

Acredito em algo enviado pelo Céu em situações extremas.

Faz voz imperativa aos obstáculos: “Saiam! Deixem passar!”.

Se é noite surgem archotes acesos que iluminam o caminho. Avança-se por entre a escuridão, por entre o medo, o desconhecido, a incerteza, a ansiedade… avança-se para algo que parece ser a fuga ao mau e, um caminho em direcção a algo de bom.

A iniciação na composição musical, também teve o mesmo contexto que a minha iniciação na escrita de letras para canção. Outra vez videntes!…

Sozinha não teria sido capaz de me convencer de tal. Precisei de ajuda! Foi um vidente inglês! Virei paraquedista e saltei para a composição musical…

Olá! Vou compor linhas melódicas! Disseram-me que eu era capaz!

Eu acredito que sim! Não tenho experiência mas só me resta eu para o meu serviço! Vamos lá! Muitos que estudam música durante anos, fazendo até licenciatura, nem sempre se aventuram pela escrita de letras para canções e/ou composição musical. Muitas vezes ficam-se pela execução instrumental. Como não conheço ninguém, tenho de ser eu a fazer as letras e linhas melódicas!

Sempre vivi a vida como uma paraquedista portanto, esta situação é apenas mais uma!

Como sou eu como paraquedista? Sou fenomenal!

Sou mais ou menos assim: estou no avião, olho para os demais e vejo que permanecem confortáveis e, confortados nos seus lugares, estão seguros!

Olho lá para baixo e algures escondido, pouco percetível, está algo.

Algo que me agrada!

Os olhos da realidade pouco vêem mas eu vou buscar outros: os meus olhos mágicos!

E agora vejo tudo claramente!

Sabem uma coisa? Até me palpita que aquilo que estou a ver seja algo de verdadeiramente excitante! Vou pegar no meu paraquedas!

Saltei do conforto do avião em direcção a algo fantástico!

Acima de mim o avião prossegue com os outros a bordo.

Vejo um balão enorme formado pelo paraquedas aberto. E também vejo o sol, os pássaros…  Não vejo obstáculo algum, é tudo tão lindo… até parece que sei voar!

Ai-ai-ai, bati com o corpo no chão! Onde estou?!

Vou ter que me desenrascar, se não quiser ficar aqui no meio do nada! Estou tramada! Onde diabo vim parar?! Estou perdida!!! Está alguém por aí? Alguém me pode ajudar, por favor? Não vejo ninguém…será que tenho de gritar mais alto?!!

ALGUÉM me pode ajudar, por favor?  

Onde está a ajuda?!!! Ah! Parece que está ali alguém! O que é que está a dizer-me?! Ouve-se mal. Tenho de me aproximar...

“Não faças esse ar de preocupada. Tu tens de aprender e nada melhor que fazê-lo sozinha…conheces aquele provérbio: a necessidade aguça o engenho? Tantas vezes te disse para pensares primeiro e agires depois mas, tu não mudas! Depois lamentas-te e dizes que só fazes disparates. Acalma-te. Tu és uma felizarda. O Céu achou graça à tua ingenuidade, terás a Sua proteção e a Sua orientação. Darás a volta por cima de qualquer obstáculo e rapidamente. Lembra-te sempre disto: os obstáculos são apenas, e somente, degraus para te levarem até ao teu destino. Portanto, não fiques ansiosa com os muitos obstáculos que serão colocados no teu caminho! Ser-te-á dada uma força especial e nada te será negado, não te preocupes em demasia. Mantém sempre a fé!”

Hei, espera aí! Ó ajuda! Já te vais embora?! Olha, tinha asas! Afinal era um anjo! Não te vás embora! Fica comigo! Por favor! Eu sou uma anjinha! Não posso ficar só! Olha! Foi-se!

“Não, não me fui… eu continuo junto a ti.”

A 31 Julho de 2003, em pleno Verão, foi-me apresentado o músico do estúdio, de nacionalidade brasileira, casado com uma portuguesa e a residir há vários anos em Portugal. Foi este o homem importante que veio concretizar os meus projetos musicais.

 O tal que tinha sido vaticinado pelo vidente inglês: “… conhecerá um homem no verão de 2003 que vai ser muito importante na sua vida!”.

 “O meu futuro marido?” -perguntei eu. “Não. Você depois verá quem é…”- disse ele.

Como cheguei até este músico do estúdio?

À minha casa tinha acabado de dar entrada a nova lista telefónica da rede fixa.

Eu pensava que só em Lisboa haveriam editoras discográficas mas lembrei-me de procurar, embora incrédula, nas páginas amarelas da lista telefónica acabada de chegar.

Pasmei quando vi que ali perto, numa pequena cidade, havia uma editora discográfica, embora pouco conhecida, de música popular.  

Não tomei nota do contacto da editora que a página amarela indicava por não me identificar com ela no seu género musical embora, aprecie música popular.

Nos dias seguintes, o pensamento perseverante de que eu deveria entrar em contacto com essa editora torturava-me. Eu contra argumentava essa ideia fixa dizendo que não me identificava com a editora em causa. A ideia fixa continuava a insistir e a rejeitar a resposta que eu lhe dava.

Desloquei-me à editora! Eram finais de julho de 2003.

O dono da pequena editora era um senhor reformado.

Entreguei-lhe uma cassete com os treze temas do meu projeto português “Incenso” –apenas a voz cantando.

No dia seguinte à entrega da cassete, esse senhor telefona-me a dizer que só conhecia um músico capaz de dar forma ao meu projecto: um músico muito versátil e que já tinha feito muitos covers difíceis para aquela editora.

Foi quando percebi que além de música popular também faziam edição de covers dos mais variados géneros musicais!

Depois disso, em finais de 2004 andava eu à procura de músicos para formar uma banda uma vez que já tinha terminado a maquete do projeto “Incenso”, no estúdio do músico.

Pus anúncio numa revista de música: eu procurava músicos.

Muitos dos que me contactavam perguntavam-me se as músicas eram cantadas em inglês. Quando dizia que não, a maioria desinteressava-se.

Depois apercebi-me que algumas músicas cantadas em inglês, difundidas pelas rádios, eram de bandas portuguesas e que as grandes editoras discográficas pareciam ter preferência por bandas nacionais que interpretavam os seus temas em inglês!

O músico do estúdio, por questões intrínsecas à sua própria personalidade é pragmático. Considera que todas as hipóteses, boas ou más, são passíveis de se concretizarem e portanto é preciso ter capacidade de adaptação às circunstâncias do momento, sejam elas boas ou más.

Eu no entanto, quando quero alguma coisa, oriento toda a minha vida em função do que eu quero. Só vejo aquilo à minha frente. Alternativas para o caso de eu fracassar não as coloco. Eu aposto absolutamente tudo nos meus objetivos.

Mas as lutas dão ansiedades, stress e dão cabo do coração! O mundo real, e também o mundo da música, não é para cardíacos e eu tenho um prolapso mitral.

Soube do meu problema no ano 2000: tinha-me deitado e tinha adormecido. A altas horas da madrugada despertei mas não consegui mexer parte alguma do meu corpo, nem abrir os olhos, nem sentia sequer que eu respirasse, nem sentia o coração a bater. Tinha apenas a mente acordada.

Percebi imediatamente que algo de muito errado e mortal, se passava comigo. Não existem mortes santas durante o sono… algo surpreendentemente assustador, estranho e errado é sentido - o corpo está diferente, está morto!

 “É assim que eu termino?!” – disse o mentalmente num tom irónico, queixando-me a Deus e queixando-me da miséria na minha vida sem nunca ter tido a oportunidade de ser feliz.  

Eu discordava da minha morte porque discordava da minha vida: tinha sido uma miséria! Eu não podia terminar simplesmente assim: morta!

Não vi túnel de luz, não saí do corpo. Não vi nada. Apenas me ouvia na minha mente!

Muita gente fala num estado de paz indescritível… aqueles que viverem uma experiência de morte. É verdade… é muito superior à alegria que habitualmente sentimos.

Talvez por algo no nosso sistema nervoso se desligar –desliga se o corpo, as sensações físicas e surge a paz? Talvez.

Uma voz sussurrou-me: “Tens um problema no coração”.

Era uma voz com um timbre idêntico ao meu mas, muito mais doce e calma, que eu sabia não ser minha.

Imediatamente após a voz ter falado, senti o sangue a circular de forma irregular no coração, como que aos solavancos e, senti um braço por debaixo das costas a reerguer-me muito rapidamente ficando eu em posição de sentada na cama.

Aí imediatamente os meus pulmões começaram a funcionar novamente e respiraram de uma só vez tanto ar que já não cabia mais na caixa toráxica causando uma espécie de dor extrema momentânea.

Quando acordei de manhã, não sabia se tinha sido um sonho mau mas lembrava-me perfeitamente daquele acordar repentino, da inspiração de ar como se eu há muito não respirasse e daquele circular irregular de sangue no coração.

Fui consultar um médico e pedi exames cardíacos.  

O médico perguntou-me em que me baseava para tal pedido.

Disse-lhe que tivera um sonho em que me foi dito que eu tinha um problema no coração e descrevi os sintomas do episódio.

O médico olhou-me de cima a abaixo (ouvir uma voz?!) mas como insistia, ele fez a requisição dos exames que indicaram a existência de um prolapso mitral.

Já nasci com ele. Muita gente tem-no e nunca se apercebeu da sua existência.

É verdadeira a frase: “A onde está o teu tesouro, aí estará o teu coração!”

Quando tive aquele susto de morte no ano 2000, tinha começado a escrever as letras para canção. Tinha descoberto para mim um novo mundo.

“É assim que eu termino?!” -perguntava eu a Deus.

Nunca iria eu ver até onde poderia ter chegado na música?

Nunca iria ver se no amor algum dia poderia ter sido feliz?

Deus adiou o dia da minha morte. Deu-me a oportunidade de ver até onde irei chegar na música e se algum dia serei feliz no amor.

O cardiologista disse que aquilo que eu tinha no coração não era grave.

Perguntei-lhe se eu podia, com este meu problema cardíaco, sofrer muito e correr muito. O médico começou a rir: “Que diabo de pergunta! Se pode sofrer muito?! Sim, pode sofrer muito! Mas não convém abusar, aliás isso aplica-se a toda a gente! Vou prescrever-lhe um calmante que deverá tomar em situações mais perturbadoras ou, em que anteveja circunstâncias ansiosas (nunca tomei). Porque é que pergunta se pode correr muito?!”

“Sei lá! Posso precisar de correr de algum perigo!” – repliquei eu.

Em 2006 achei por bem começar a escrever mais letras para canção mas desta vez em inglês! Essas letras vieram a originar o álbum “Extreme” em 2007.

O meu inglês era rudimentar, apenas sabia algumas coisas aprendidas no ensino secundário. Eu precisava de alguém que pudesse fazer as correções necessárias às letras: erros sintáticos, semânticos e gramaticais pois, era provável que eles existissem.

Havia uma licenciada em Inglês, na vertente do ensino, que vivia próxima de mim. Perguntei-lhe se estaria disponível para dar uma vista de olhos a umas letras minhas escritas em inglês, para eventuais correções.

Notei nela alguma irritação perante o meu pedido, transparecendo até, a meu ver, alguma insegurança em assumir tal responsabilidade: ela não era tradutora mas sim professora de inglês do ensino básico numa escola pública.

Essas revisões acabaram por ficar a cargo da Cristina, uma luso-americana recém chegada a Portugal vinda de Nova Iorque e que tinha decidido ficar a trabalhar por uns tempos no país dos seus pais, estes ainda nos EUA.

Mas antes de ter encontrado a Cristina, eu andava a tentar encontrar ajuda através da recomendação duma amiga cujo primo conhecia uma portuguesa noiva de um inglês! Esse senhor inglês tinha concorrido anos antes a uma vaga no ensino privado em Portugal e foi ficando por cá. Gostou das pessoas e do clima.

No entanto, a noiva portuguesa nunca me permitiu falar com o seu noivo inglês! Entreguei a ela as letras para correção que por sua vez, segundo ela, as entregaria a ele.

No dia combinado para devolver as letras do meu “Extreme” com eventuais retificações, só compareceu ela, apesar de eu lhe ter dito ser importante a presença dele e ela ter concordado.

Ao final da tarde, ela compareceu no local combinado: um café.

Eu olhava para a porta à espera que ele irrompesse. Pensei que ele tivesse ficado para trás. Ele tardava. Ela tinha transposto a porta do estabelecimento sozinha, tinha-se sentado e feito o seu pedido ao empregado de mesa. Finalmente pergunto-lhe: “O seu noivo não vem?”

-“Não!” -diz ela descontraidamente a bambolear o pacote de açúcar que tinha na mão preparando-se para abri-lo pois, tencionava tomar o seu cafezinho bem docinho.

-“E se eu quiser trocar impressões com ele acerca das letras do projeto, como faço?” -pergunto eu atónita. Ela já tinha bebericado um pouco de café. Parecia que estava bom. A cara dela era de satisfação.  

-“Simplesmente não troca!” - a cara dela continuava a ser de satisfação. Ela sorria. Eu continuava atónita, desta vez porque fui esbarrar com uma manipuladora implacável e uma ciumenta patológica. Depois foi dizendo que tinha ajudado o noivo a fazer as correções, que ela também era licenciada em Inglês e portanto, a presença do seu noivo inglês ali carecia de sentido.

Apesar do meu inglês ser básico, havia alterações feitas às letras que eu discordava por serem inadequadas. Também não acreditei que o noivo tivesse tido alguma vez acesso às letras.

Paguei-lhe o trabalho de correcção e, para encerrar a minha conversa com ela, disse-lhe que não tinha gostado que ela tivesse gozado com a minha cara dado que só ela tinha comparecido quando o combinado era aparecerem os dois!

Ficou espantada com a minha mudança brusca de tom mas rapidamente tomou o seu autocontrole e respondeu-me: “As pessoas são todas umas ingratas! Nunca mais digo a ele para fazer traduções ou correções! Seja lá para quem for!” E saiu porta fora!

“Isso mesmo! Vai mandar nele! Vai mandar no teu noivo, manipuladora feia!”

Para o ambiente ao nosso redor ficar um pouco mais bonito, vamos pôr um pouco de música de fundo? Há que purificar o ar deixado por aquela manipuladora!

Falando outra vez de música…

São frequentes as “discussões” com o músico do estúdio: ele considera que a canção já está feita, mas eu considero que os arranjos têm de ser refeitos!

Ele passa-se da cabeça quando ouve tal sugestão! Ainda mais, quando digo que talvez tenhamos de alterar o género musical de uma dada canção já gravada!

 -“Já viu a quantidade de horas, dias, semanas deitados ao lixo?! Já viu o dinheiro que você está a deitar fora?! Assim nunca mais terminamos canção alguma! Ainda falta trabalhar as outras canções que você já compôs!!” –diz ele em tom tão alto e tão bem projetado que se ouve cá fora na rua. Alguém cá fora está a ouvir o sermão que ele me está a dar!

-“Não gosto conforme está! Não gosto!” – desculpo-me eu.

-Mas ainda ontem disse que gostava da música e que estava tudo OK!

-Não disse nada! Disse que estava mais ou menos OK!

-Você já reparou que está sempre a mudar de ideias?

-Não estou não! Eu sou uma criadora! Não vê como eu estou a sofrer! –

-“Mulheres!” –pensa ele! (Não o disse mas tenho a certeza que o pensou!)

 

Agradeço a Deus todo o trabalho que teve em fazer com que tudo fosse possível para mim: cantar, escrever as letras, compor e encontrar o músico do estúdio que tornou realidade as minhas canções. Desejo abrir assas e ver o mundo!  

YOUTUBE video "About Me" (em Inglês)

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